Porque ainda Windsurf?

Publicado em 22/03/2019 00:00
Porque ainda Windsurf?

 

Porque ainda Windsurf?

 

No dia 12/09/2011 foi publicada uma matéria de opinião em nosso site www.windville.com.br: Porque Windsurf?

 

Segue o link da matéria completa para quem tiver interesse: http://www.windville.com.br/noticia/223/porque-windsurf.html

 

Na matéria, a preocupação e comparação maior foi entre surf x windsurf. Segue um pequeno resumo do texto:

O surf é mágico. O momento supremo de dropar uma onda e encaixar na parede, realizando as manobras, é adrenalina pura. É você, sua prancha e a onda. Nenhum motor e dependendo somente de sua habilidade em manter a prancha em velocidade ou em condições de retomá-la após uma manobra bem executada.

Porém o suor até chegar a este momento mágico é muito grande. Atravessar uma rebentação e ficar remando para manter a prancha no pico (quando a maré estiver puxando muito) é trabalho pra burro. Trabalho e suor ou algumas vezes frio, pois ficar sentado na prancha esperando a série nem sempre é o melhor passa tempo. Após os 10 minutos iniciais acaba a paciência de qualquer um.

Isto sem falar no crowd ou o localismo, o que é ainda pior. Quando os points de surf não são tão comuns em quantidade e qualidade, já me ocorreu de ver uns 10 caras disputando uma mesma onda. Isto significa que você, iniciante, terá de ficar no seu cantinho, onda não rola a mesma onda com a parede perfeita, e terá de ser contentar com a espuma e caixotes. E tome caldo... ou pedrada na cabeça!

No windsurf, planar encaixado no trapézio e com os pés nas alças, é o mesmo momento mágico do drop no surf, porém do início ao fim do velejo. Isto falando apenas no slalom, imagine então o windsurf nas ondas (categoria wave). É adrenalina pura do início ao fim. Não existe o “puta trampo” para passar a rebentação e se manter posicionado. Não existe limite no esporte, pois você vai cada vez querer aprender mais e sentir ainda mais a adrenalina em suas veias.

A camaradagem que existe no Windsurf sinceramente nunca encontrei em outro esporte. Os velejadores se ajudam, se incentivam, ensinam e principalmente se cuidam. Pessoas de fora ou iniciantes são bem-vindos. Quanto mais velas tivermos na água, melhor. Torna mais bonito o espetáculo e motiva você a seguir em frente.

 

 

A comparação com o Kitesurf também já foi tratada em matéria específica:

http://www.windville.com.br/noticia/434/windsurf-x-kitesurf.html

 

O material de kitesurf é mais fácil de transportar, com custo inicial de aquisição bastante parecidos (windsurf e kite), o de Wind tem maior durabilidade e portanto mantém melhor o valor de revenda. É mais fácil comprar material de wind usado do que o de kite, que necessita de maior atenção no estado das linhas e da bexiga...

Windsurf é mais seguro. Existem inúmeros relatos, vídeos, etc... de acidentes com kite. Além disto, a prancha de Wind por ser maior e possuir maior flutuação, também oferece mais segurança dentro da água no caso de falta de vento.

O kite é muito mais fácil de aprender do que o Wind. Talvez até resida neste ponto a maior quantidade de acidentes no kite. Como é muito fácil e fisicamente menos desafiador, o velejador de kite acaba não adquirindo aquela cultura de respeito e consciência aos perigos e desafios que a água e o vento podem representar ao esportista. Um amigo meu, instrutor de Wind e de kite me disse uma vez uma frase que nunca vou esquecer: “Alguém empenhado e com razoável preparo físico, em 03 aulas de kite estará planando, indo e voltando, com pés nas alças e utilizando o trapézio. Para o windsurf, pés nas alças, usando o trapézio e planando, são necessárias 30 aulas... Preciso dizer algo mais???

 

 

Agora porque retorno a este assunto? Porque a análise não está completa: Ainda falta acrescentar o Windfoil à comparação.

Neste ponto devo dizer que não pratico o Windfoil. O que vou escrever a seguir é somente baseado em conversas, opiniões minhas e de outros velejadores, e também pesquisa na internet.

Windfoil é inegavelmente a evolução natural do esporte.

Assim como no passado, houve uma migração das funboard (esporte familiar, tranquilo e acessível) para o atual windsurf (radical com nível razoável de dificuldade), o próximo estágio é o Foil.

São diversos os argumentos contra o Foil, entre eles, que é muito caro, exige o upgrade de prancha e talvez até da vela, nunca irá ser atraente para velejo a 20 knots nas ondas, é entediante, fisicamente menos desafiador, falta o batido da prancha nas ondas (tac, tac, tac...), exige boa profundidade de água, perigo em função de diversas arestas cortantes do foil, etc, etc, etc...

Porém, é uma realidade. O mercado precisa de novos desafios, idéias e conceitos para seguir evoluindo e até mesmo se manter economicamente.

Algumas razões pra justificar que o Foil veio pra ficar:

  1. Nomes como Robby Naish, Starboard, JP, ISSO, Bimba, e tantos outros estão envolvidos no assunto.
  2. A Neilpryde (com o Foil) tem planos de 10 anos à frente com os Jogos Olímpicos. Existe firmado o acordo de comprometimento até os Jogos de 2024.
  3. A alguns anos atrás, com o crescimento do kite e decadência do windsurf, muitas marcas migraram pro kite, e hoje com a Windfoil estão retornando ao windsurf (Slingshot, Ketos, Zeeko, Horue, Alpinefoil...).

 

 

  1. Antoine Albeau, atual top do Wind, está totalmente envolvido com o Foil.
  2. Outras categorias de embarcações já haviam migrado ao foil a algum tempo atrás, sendo assim inevitável que ocorra também com o windsurf.
  3. Gradativa redução do preço do Foil.

 

Independente se o Windfoil irá revolucionar ou não o esporte, tornar-se mais uma modalidade do windsurf ou até mesmo no futuro vir a desaparecer, existe uma corrente de pensamento que aponta o Windfoil como a escolha natural para ventos fracos, substituindo as grandes e pesadas pranchas e velas de Fórmula Windsurf.

O apelo de “voar” sobre as águas pode realmente ser um excelente motivador pra conseguir novos adeptos ao esporte, mas de minha parte, como bom “Raiz” do windsurf, seguirei com meu equipamento stardard, sem intenções de migrar pro Foil.

Me considero um dos que bate forte naquela lista inicial de pontos do porque não migrar. A sensação da prancha batendo nas marolas, tendo que reagir a cada nova onda e bufada de vento, tudo integrado e gerando a mais alta adrenalina, é inigualável. Sinceramente não consigo (de fora, sem nunca ter tentado) sentir ao menos a curiosidade do desafio de experimentar.

Não posso dizer que desta água jamais beberei, mas sinceramente, não consegue despertar meu interesse...

 

Fonte pro Foil: https://www.windfoilzone.com/single-post/windoiling-future-of-windsurfing

 

Abraço e Bons Ventos,

 

Carlos Jürgens

 

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