Freeride x Freerace x Race – Qual equipamento e porque?

Publicado em 25/11/2016 00:00
Freeride x Freerace x Race – Qual equipamento e porque?

 

Freeride x Freerace x Race

 

Se você curte um velejo de velocidade com jibes a cada final de bordo, você provavelmente já se deparou com o dilema de “quanto dedicado seu equipamento deveria ser para esta função”.

Permanecer no confortável e de fácil uso Freeride? Ou investindo seu dinheiro no que de melhor pode ser comprado com as top de linha (Slalom/Race), as maiores velocidades e adrenalina pura? Ou ainda permanecer em algum lugar aí no meio com as Freerace?

É uma boa pergunta, pois todos sabemos que o material dedicado para Slalom é mais rápido, mas o quanto mais rápido ele realmente é? E o quanto mais técnico e habilidoso eu preciso ser para colher o melhor que um equipamento destes tem a oferecer?

 

Procurei na internet e encontrei uma matéria muito interessante em: https://boards.co.uk/longform/freeride-vs-freerace-vs-race-which-gear-and-why#v4kquL8lCxGowtIo.99

Como representante das Freeride, foi escolhida a Tabou Rocket combinada com a vela sem cambers Simmer VMax.

Para as Freerace, Tabou Speedster com Simmer Twin Cam 2XS.

E finalmente para Slalom,  Tabou Manta, equipada com quilha F-Hot Carbon e vela Simmer SCR  de race. Retrancas idênticas para todos, 100% carbono North Platinum race.

 

 

Ainda na praia, as diferenças são imediatamente aparentes. Ambas velas com cambers são mais pesadas que a sem. Pode eventualmente existir o argumento de que velas com cambers são mais complicadas de montar. Realmente são, mas hoje em dia não muito mais que as sem. Existem as aberturas na manga para a montagem dos cambers e além disto, a mesma manga é normalmente mais larga em velas com cambers, o que facilita a introdução do mastro, em especial na vela de race.

Apesar das 3 pranchas possuírem volumes parecidos e todas anunciarem o melhor funcionamento em velas 7,0m², chama a atenção a impressão que a Speedster transmite de ser bem maior que as outras, basicamente em função da largura, 12cm maior que a Rocket.

Já na água, as diferenças em relação ao início do planeio não são mais tão aparentes. Cada uma delas possui seus próprios méritos e reações.

O conjunto Freeride (sem cambers) indiscutivelmente é o que transmite a resposta mais rápida às mãos do velejador e ajuda a levar a prancha eficientemente ao planeio. Apesar de a menor largura da Rocket e menor e menos potente quilha jogarem contra esta resposta, é um dos conjuntos mais fáceis de levar ao planeio, analisado pelo ponto de vista técnico.

O conjunto Freerace possui a largura e tamanho de quilha ideais para a máxima potencia ao planeio, e apesar da vela com 2 cambers possuir menos torque inicial que a sem camber, uma vez que estiver em movimento, é a mais eficiente para acelerar.

No geral, o conjunto Freerace é o mais rapido para levar ao planeio, porém por uma pequena margem.

O conjunto de Race, possui largura, quilha e linhas de borda perfeitas para o rapido planeio, mas a vela de race sendo mais pesada e rígida nas mãos, transforma o conjunto no mais lento para iniciar a planar. Porém, assim que inicia a planar, é o conjunto que de longe possui a melhor aceleração.

 

Uma vez planando, as diferenças entre os conjuntos aumentam ou diminuem, dependendo bastante das condições da água. Com águas lisas, a diferença na velocidade máxima se torna evidente. O conjunto de Race se sente muito eficiente, e apesar de ser provavelmente o que mais exige fisicamente do velejador (por causa do peso do rig e da prancha mais rápida), torna-se bastante neutro nesta condição. Se você estiver plenamente encaixado no equipo (alças, trapézio, esteira fechada, etc...), o kit faz a maior parte do trabalho para você e transmite uma sensação de estar escorregando na superfície da água. Porém não existe meio-termo neste conjunto. Se você abrir um pouco a vela, a prancha levanta o bico e você inicia a ter sérios problemas para manter o controle.

Em comparação, a Freeride é muito mais progressiva. Voce pode conduzi-la mais forte ou aliviar, conforme gosto e momento, e a prancha permanece posicionada na água e sob controle.

E como esperado, a Freerace se posiciona mais ou menos no meio destes extremos, um pouco mais inclinada em direção à Race.

Enquanto o conjunto Race segue acelerando a cada rajada, a Freeride definitivamente encontra um limite (respeitável porém), mas nunca igualará a uma Race.

Mas conforme as condições da água vão se alterando e surgem águas agitadas, as diferenças entre os equipos se tornam menos aparentes, particularmente para velejadores menos técnicos e habilidosos, onde o controle torna-se a chave do jogo.

O conjunto Freeride é super controlável, mesmo com ondas e em velocidade máxima. Em alguns casos talvez até mais rapido que o Freerace.

No conjunto Race, é mais uma questão de coragem, pois você precisa manter o conjunto travado com a esteira fechada e dando tudo. Faça isto e você ainda será o mais rapido. Abra um pouco o gap e será engolido pelos demais e sério candidato a catapulta.

No teste realizado, de maneira bem honesta, a equipe do teste preferia o equipo Freeride para tudo que não fosse slalom puro. O Freeride é muito mais controlável e fácil de velejar, e quando as condições pioram, é possível ajustar o setup para o máximo proveito.

Velejadores menos experientes tendem também a alcançar maiores velocidades em equipos Freeride que em materiais mais dedicados a race e slalom, que apesar de em teoria serem mais rápidos, exigem mais técnica para acessar esta velocidade. De outra maneira, você irá brigar não somente por velocidade, mas também por conforto e controle.

A maior deficiência do Freeride, se percebe em manter o planeio e deslizar entre as rajadas. Um rig com cambers é significativamente mais eficiente quando velejando no vento aparente que uma vela sem cambers, que começa a perder o perfil (pela falta de pressão de vento real na vela) e consequentemente torque.

Em velocidades máximas, as velas com cambers também levam vantagem graças à estabilidade do perfil, em detrimento de menor manobrabilidade e liberdade nas mãos, típica das sem cambers.

Nos jibes, a melhor opção é a Freeride. Mas atualmente não com muita margem. Nesta escolha, também a vela sem cambers tem papel importante, pela leveza no manuseio e fácil rotação. A vela de Race, no extremo oposto é a de maior dificuldade na rotação.

 

 

CONCLUSÕES

 

Muitas. Mas o que na pratica tudo isto significa? Quem deveria comprar o que? Pois bem, analisemos cada setup:

Freeride é definitivamente o mais aplicável e colocará com certeza um sorriso na face de qualquer velejador iniciante até avançado. Plana relativamente bem, graças ao torque do rig e o que menos técnico dos 3 testados. Em termos reais, significa dizer mais performance com menos técnica. Em águas agitadas e com ondas, pode até mesmo bater um equipo top de Race e com muito mais conforto. Ele perde nos buracos de vento (sem cambers) e na velocidade máxima final em aguas lisas. Na real, a menos que você esteja totalmente focado em velocidade e em águas completamente lisas, este é provavelmente o setup a ser considerado (Freeride).

O pacote mais difícil de conseguir um veredicto é o Freerace, principalmente pelo compromisso a que se destina (Velocidade da Race com manuseio da Freeride). Se você não for muito habilidoso, velejar com frequência em lugares ondulados e gostar tanto dos jibes quanto das linhas retas planando, deveria provavelmente ir para o Freeride ao invés de Freerace.

Se você gosta de buscar sempre novos limites em velocidade em águas lisas, então obviamente o Race é seu equipo. Na opinião do time do teste, não acharam o Freerace mais fácil de dar o jibe que o Race, sendo a única vantagem encontrada no fato de um velejador menos habilidoso conseguir velocidades maiores mais facilmente e com menos esforço. O rig com certeza é mais fácil de manuseio pois possui menos cambers e peso. Muito mais fácil de fazer o waterstart (pela manga mais estreita) que o rig Race, e mais estável e potente nos buracos de vento que a sem cambers. Até aqui ainda falando de Freerace (prancha e rig).

O Race é exatamente o que anunciam os fabricantes: Rápido e assustador! Voce precisa ser realmente bom para conseguir o máximo deste equipamento. Ou terá sérios problemas e maus momentos pela frente. Mas se você for bom o suficiente e quiser o melhor, porque escolher outro?

E antes de encerrar, pense um pouco nisto... Porque não colocar o rig da Freerace (vela com 2 cambers) com todos seus benefícios e vantagens de estabilidade, velocidade e potencia entre rajadas numa prancha de Freeride, com seu controle, conforto e diversão? Pois bem, foi feito no teste e de longe foi o melhor setup de todos. Pau pra toda obra!


Fonte: https://boards.co.uk/longform/freeride-vs-freerace-vs-race-which-gear-and-why#v4kquL8lCxGowtIo.99

 

A informação acima é a tradução praticamente literal da matéria original, pois achei que a mesma está bastante completa e honesta. Pesquisei também outras páginas e fóruns de discussão. Além disto, tenho minha opinião (e dúvida) própria, que acabam corroborando o acima exposto. Fico feliz em saber que o setup escolhido pelos profissionais é também minha escolha: Prancha freeride e vela com 2 cambers.

 

Bons ventos a todos, cada um na sua opção de escolha,

 

Carlos Jürgens

 

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