E os pinguins voltaram...

Publicado em 08/07/2015 00:00
E os pinguins voltaram...

 

E os pinguins voltaram...

 

Sábado passado (04/07/15). Previsão boa de vento SW para a região Norte de Santa Catarina. Como sabemos que este vento ocorre normalmente durante o período da manhã, tratamos de mobilizar o pessoal para chegarmos muito cedo à Praia Alegre (início do município de Penha, quase divisa com Piçarras), e assim aproveitar o melhor do vento.

Tratei de resolver alguns assuntos particulares e por volta das 9:00h já estava entrando na água. Confesso que fiquei em duvida entre montar a 6.0 ou a 7.5, mas com o vento frio que soprava, preferi correr o risco de ficar over e manter a adrenalina em alta do que boiar.

Decisão acertada. Assim que subi na prancha, senti a pressão e já saí planando. E mais importante, com o vento vindo mais de Oeste do que Sudoeste puro, sabia que seria possível dar um bordo muito longo, pois soprava terral puro.

Já a muito tempo tinha este projeto de velejando um bom WSW, alcançar as proximidades do Morro do Grant (em Itajuba, município de Barra Velha). Seria necessário inicialmente abrir um pouco para passar por fora da Laje do Jacques (divisa Piçarras – Itajuba) e depois orçar em direção ao morro.

 

 

Tudo corretamente ajustado, vela 7.5 perfeita, colete flutuador, quilha grande (MFC Liquid Pro 460) pra não perder capacidade de orça, lá fui eu. Após uns 8 minutos de velejo, encontrei o primeiro pinguim e me dei conta que não era somente o vento que estava frio, mas também a água. Tratei de me concentrar pra não correr o risco de me molhar.

De longe me pareceu ser uma gaivota, mas assim que me aproximei, pude ver se tratar de um pinguim. Faltando uns 10 metros pra chegar nele, mergulhou. Segui adiante no velejo e um pouco antes do jibe em frente às pedras do Morro do Grant, avistei o segundo deles. Na volta, avistei ainda um terceiro e em frente a Piçarras o quarto.

O velejo de volta não foi tão tranquilo. O vento apertou bastante e pra controlar a 7.5, agora totalmente over, foi necessário bastante técnica e força, pois em primeiro lugar não queria me molhar e em segundo, de nenhuma forma perder altura no velejo. Vento terral, qualquer problema que houver, irá empurrá-lo mar afora. E de quebra, faltando uns 3 Km para retornar à praia, primeiro buraco de vento. Deste ponto em diante foram se alternando rajadas com buracos de vento até o retorno são e salvo à praia.

Chegando à praia, passei o feed back ao pessoal sobre a condição do vento, descansei e retornei junto com os demais à água, mas o melhor do vento já havia passado.

Então, já no barzinho (Biroska), degustando uma Heineken e uns bolinhos de bacalhau da hora, eis que chega nosso amigo Braga com um pinguim nas mãos. Ele (o pinguim) estava esgotado e tendo chegado à praia, estava sendo atacado por gaivotas. O Braga o salvou!

 

 

Ligamos aos bombeiros que imediatamente se prontificaram a buscar o animal. Nesta época do ano é normal este tipo de ave chegar ao nosso litoral. Em alguns casos, mortas por caírem em redes de pescadores, e em outros, completamente esgotadas, necessitando de cuidados e repouso. Existe inclusive um programa oficial de resgate a essas criaturas que a cada temporada, devolve as aves recolhidas a regiões mais ao sul, de forma que possam retornar às águas geladas de origem.

Já de volta a casa, abri o Google Earth e passei a régua. Do ponto de origem até o jibe em frente às pedras, foram 8,2Km. Nunca havia feito uma perna tão grande num planeio único e confesso que foi fantástico. Imagino a sensação de participar de corridas de longo percurso, como por exemplo, nossos amigos do Rio Grande do Sul e sua regata de Downwind Rio Grande–Chui.

Agora é esperar pelo próximo vento SW. A galera já sabe que este vento ocorre só pela manhã e no próximo com certeza teremos alguns madrugadores chegando já às 8:00h.

 

Em tempo: As fotos de pinguins sozinhos desta matéria, foram enviadas pelo Wilmar de Enseada (São Francisco do Sul) e foram tiradas de aves que igualmente chegaram por estes dias naquela outra praia.

 

Bons ventos a todos,

 

Carlos Jürgens

  

 

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